Relações com os colaboradores

– Raramente discordamos dos outros membros do conselho e da gestão, mas se isso acontecer, em geral, trata-se de questões que são muito importantes para os empregados.

Relações com os colaboradores

Nessas horas, usamos nossa influência – diz Billy Fredagsvik, um dos três representantes dos trabalhadores no conselho de administração da Hydro.

 

Em muitos lugares, é impensável haver representação dos trabalhadores no conselho da empresa. Na Noruega e em alguns outros países, é imposto por lei. Em consequência disso, três dos nove integrantes do conselho de administração da Hydro são eleitos pelos funcionários. São esses nove que nomeiam o Presidente-Executivo e deliberam sobre questões importantes para o desenvolvimento da empresa – estratégias, aquisições e vendas de negócios, etc. Essa participação decisória também implica uma grande responsabilidade.

Já que a Hydro é uma empresa norueguesa com sede na Noruega, os representantes dos empregados no conselho de administração são escolhidos entre os funcionários na Noruega. O mesmo se aplica à assembleia corporativa. A cooperação com os representantes dos trabalhadores de outros países é garantida de outras maneiras, entre quais, as reuniões dos representantes sindicais da European Works Council – a Comissão Europeia de Empresas.

Linha direta

– A participação no conselho de administração significa que estamos presentes no momento das decisões e temos uma linha direta para a cúpula da empresa. Aliado a uma boa tradição de cooperação, isso oferece possibilidades de influência mútua, o que favorece tanto os empregados quanto a empresa.

– Mas vocês empregados têm influência real ou acabam se tornando marionetes?

– Participamos de maneira ativa nas deliberações do conselho e nas discussões com a gestão corporativa. Dessa forma, entramos na jogada desde a fase inicial, o que nos dá poder de influência. Em minha experiência, geralmente há consenso sobre as questões de longo prazo e grande envergadura. Exemplos disso são a construção da nova fábrica de alumínio em Qatar e a compra dos negócios de alumínio da Vale no Brasil. As divergências muitas vezes surgem em assuntos de curto prazo, como a questão de reiniciar a capacidade produtiva que está temporariamente desativada em Neuss, Alemanha e Sunndalsøra, Noruega. Nesse quesito, a administração está mostrando uma lentidão incrível e nós estamos fazendo a maior pressão.

Fechamentos são mais difíceis


– Qual é a parte mais difícil de ser membro do conselho?

– O fechamento de unidades. Tudo que tem a ver com cortes no número de empregos. Quando esses assuntos estão sendo discutidos, fazemos de tudo para encontrar uma solução.

– Conseguem? 

– Nem sempre. Em 2010, discordávamos fortemente da decisão de fechar a fábrica de extrudados em Karmøy, Noruega. Deixamos isso claro à administração e à maioria do conselho. Mas não tivemos êxito. Lamentamos isso, mas é preciso aceitar que naquele caso estávamos em minoria.

Expressar nossa opinião


– Há perigo de um conflito de interesses, já que vocês como membros do conselho de administração acabam chegando muito perto da cúpula da empresa?

– Não. Temos uma cultura onde há espaço para expressar sua opinião e defender sua posição. Eu não deixo de ser representante sindical quando entro na sala de reunião do conselho de administração. Mas através da representação no conselho vemos que estamos todos no mesmo barco. Isso é uma lição importante tanto para a administração e os donos como para nós empregados – conclui Billy Fredagsvik.


Actualizado: outubro 11, 2016